While My Guitar Gently Weeps' Blog

Onde nascem os astros da NBA

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Dezembro 23, 2009

No dia 27 de outubro começou temporada 2009-10 da NBA, o campeonato americano de basquete profissional. Duas semanas depois, no dia 9 de novembro, começou também a temporada da NCAA, o campeonato americano de basquete universitário. A maior parte dos astros da National Basketball Association (NBA) foi recrutada nas universidades (colleges), ou, antes disso, nas escolas de ensino médio (high-schools).

Não existe dúvida de que a cultura esportiva nos Estados Unidos é completamente diferente da brasileira. Carlos Thunm, vice-presidente da Federação Gaúcha de Basquete, jogou por quatro anos nos EUA em duas colleges diferentes e conta que o esporte lá é todo concentrado na escola e na universidade, e não em escolinhas de iniciação, como no Brasil. Antes de jogar nos times universitários, geralmente os atletas participam das competições colegiais. Cada esporte tem sua temporada definida, o que permite que o aluno participe de campeonatos em mais de uma modalidade, basquete no inverno e baseball na primavera, por exemplo. Dessa maneira, o atleta tem a possibilidade de adquirir experiência em vários esportes, e, na medida em que vai evoluindo, escolhe o que mais tem afinidade para continuar treinando.

As universidades acompanham os jogos e as estatísticas da high-school para saber quais são os melhores jogadores. Se algum atleta chamou a atenção, a comissão técnica (que é formada por, no mínimo, um técnico e três assistentes) vai assistir à sua partida, conversa com ele e sua família para tentar recrutá-lo. No caso de jogadores estrangeiros, a comissão técnica viaja pelo mundo na pós-temporada para observar os novos talentos, geralmente indicados por seus conterrâneos que possuem contatos nos EUA. Para jogar no esporte universitário, a idade máxima é de 24 anos. Não é recomendado que o atleta já tenha tido experiência na categoria profissional. Mesmo que não tenha recebido nenhum pagamento para jogar, a cada partida profissional que o atleta participa, ele é vetado de um jogo do universitário, explica Guilherme da Luz, gaúcho que jogou por quatro anos na Furman University, na Carolina do Sul. O recrutamento de novos jogadores é feito antes do começo da temporada, e durante esse período, o atleta tem o direito de visitar até três universidades. Na visita, que dura no máximo 48 horas, o aluno tem tudo pago. Ele conhece o campus, alguns estudantes e todas as pessoas envolvidas com o esporte. Contudo, a universidade não pode oferecer absolutamente nada que contenha o seu logotipo. Caso ela o faça, corre o risco de não disputar o campeonato na temporada seguinte.

O órgão regulador que define essa penalidade, bem como todas as outras regras do esporte universitário americano é a NCAA (National Collegiate Athletic Association). Essa Associação organiza 88 campeonatos, dentro de 23 diferentes modalidades, com a participação de 54.000 alunos-atletas. Somente na primeira divisão do basquete, são 350 times, divididos em 32 conferências (regiões). A história da NCAA começa em 1905, depois de uma temporada extremamente violenta no futebol americano.

O presidente Theodore Roosevelt convocou duas reuniões na Casa Branca com representantes de faculdades para implementar mudanças no esporte universitário. Em dezembro daquele ano, foi criada a Intercollegiate Athletic Association of the United States (IAAUS), com 62 membros, que mudou o nome para NCAA em 1910. A entidade começou apenas como um grupo para discutir e criar regras, mas, depois de 1921, passou também a organizar competições nacionais. A partir de 1973, cada modalidade foi separada em 3 divisões, sendo que na 1ª Divisão jogam os times das maiores universidades, com grande quantidade de alunos, que têm mais programas esportivos e que forma mais atletas. O primeiro campeonato da NCAA de basquete masculino foi em 1939, e desde lá, a Universidade da Califórnia, mais conhecida como UCLA, conquistou o título 11 vezes, sendo a maior vencedora da história do basquete universitário dos Estados Unidos. Só em 1982 a Associação criou o campeonato feminino de basquete. A Universidade do Tennessee é a grande campeã, com 8 títulos.

O objetivo maior da NCAA não é formar jogadores profissionais, mas dar a oportunidade para que os atletas se formem. O conceito “aluno-atleta” é tão importante que há punições para os times dos alunos que não vão nas aulas ou têm notas baixas. O “aluno” vem antes do “atleta”, eles dizem. A NCAA proíbe que os jogadores que estão mal nos estudos participem dos jogos ou dos treinos. Caso a Associação flagre alguém infringindo essa regra, o time é suspenso da temporada. Guilherme da Luz conta que os jogadores do primeiro ano precisam comparecer no study hall, a sala de estudos, duas vezes por semana, e que todos os times têm tutores, que auxiliam os atletas no conteúdo das aulas.

Todo esse sistema se reflete em números: no basquete masculino, apenas 1,2% dos jogadores se tornam profissionais. No feminino, a taxa é ainda menor, 1%. Enquanto isso, 79% dos atletas conquistam seus diplomas ao final do programa. Walter Roese, técnico da seleção brasileira universitária de basquete masculino e assistente técnico do time masculino da Universidade do Nebrasca, afirma que “a grande vantagem do basquete universitário americano é que quando o atleta acaba de jogar após quatro anos, ele tem uma formação acadêmica.   É verdade que muitos deles não se formam, mas pelo menos tiveram a oportunidade de fazê-lo.” Roese ainda complementa que “mesmo que o atleta fique de quatro a cinco anos sem receber dinheiro, ele recebeu algo (diploma) que vai dar o que comer para ele e sua família para o resto da vida.”

O americano Lyndon Yoder acredita que, além de oferecer a possibilidade de uma graduação, o esporte universitário ensina bons hábitos aos jogadores. Disciplina individual, trabalho duro e trabalho em equipe, por exemplo, são qualidades que “se tornam parte do atleta para sempre”. Para Yoder, o esporte “também ensina aos atletas que as suas decisões não afetarão somente eles, mas também outras pessoas. Se um deles não dá o seu melhor em um jogo, isso abala o resto do time.”

Carlos Thunm constata que existe um envolvimento muito grande da cidade com a universidade. “São os alunos que vão nos jogos, os professores, a comunidade como um todo”. Apesar de acompanhar de perto os jogos e sempre querer a vitória, nem a direção, nem a torcida e nem mesmo a imprensa pressionam os jogadores. Todos têm a consciência de que os atletas estão ali para melhorar seu jogo, e que muitos deles ainda não estão na sua melhor forma. O sistema do esporte norte-americano é baseado no longo prazo. Guilherme da Luz conta que, às vezes, a universidade aposta em um jogador que ainda não está “pronto”. Ou ele precisa melhorar seu condicionamento e sua força, ou não começará como titular, ou ainda não está adaptado com o novo ambiente. Nesses casos, o jogador participa dos treinos, mas não compete com a equipe. Esse atleta, chamado de redshirt, prefere não participar dos jogos durante um ano e se preparar para as quatro temporadas seguintes. Essa é a única maneira de um jogador manter sua bolsa de estudos por cinco anos.

Os responsáveis pela captação de verbas para a manutenção dos programas esportivos são as próprias universidades. Grande parte do dinheiro vem dos contratos televisivos para a transmissão dos jogos, dos patrocinadores, de eventos para arrecadação de fundos e de doações de ex-alunos que mantém um forte vinculo com a instituição. As bolsas de estudo, oferecidas apenas nas divisões I e II, contemplam as mensalidades do curso que o atleta escolhe, todos os livros necessários, moradia e alimentação. Na 2ª divisão, geralmente os atletas recebem apenas uma bolsa parcial. Em 2008, uma bolsa completa para um atleta local em uma universidade pública custava US$14 mil por mês. Para um atleta de fora do estado, esse valor subia para US$24 mil. Em uma universidade particular, o custo de uma bolsa para um atleta local era de US$32 mil. No total, as universidades gastam mais de US$1,8 bilhão por ano, somente em bolsas de estudo. Além disso, o atleta americano que comprovar dificuldades financeiras recebe um auxílio do governo ou da própria NCAA. Dessa forma, o aluno não precisa largar o esporte para trabalhar. “O ciclo é o seguinte: uma universidade tradicional tem a tendência de atrair os melhores atletas, e assim estará sempre no topo. Toda essa exposição acaba atraindo alunos para a universidade, que optam por uma instituição que oferece um bom curso e um time vencedor”, explica Carlos Thunm.

Assim como no esporte colegial, no universitário cada modalidade tem sua temporada definida. Isso para que o atleta possa se dedicar aos estudos e para que o calendário de um esporte não atrapalhe o outro. O vôlei, por exemplo, usa o mesmo ginásio que o basquete. Para que cada um possa usar o espaço pelo tempo que achar necessário, os jogos de basquete masculino e feminino acontecem durante o inverno, os de vôlei masculino são na primavera e os de vôlei feminino ocorrem no outono. Os treinos também têm épocas agendadas pela NCAA. O semestre começa no final de agosto, mas os times de basquete só podem iniciar o treinamento no fim de outubro. O primeiro treino do ano é chamado de Midnight Madness. Ele começa à meia-noite do sábado mais próximo do dia 15 de outubro (em 2009, foi no dia 17), e é mais uma apresentação para a torcida, que se reúne no ginásio para assistir aos espetáculos de enterradas, acompanhados de muita música e líderes de torcida. O Midnight Madness é, na verdade, um grande evento de promoção da equipe.

Como a NCAA proíbe que os times treinem como grupo antes dessa data, eles praticam o esporte com condições especiais. Individualmente, os atletas continuam fazendo a preparação física na academia e treinando os fundamentos, como o arremesso, na quadra. No treino coletivo, podem jogar 5 contra 5, mas sem a presença da comissão técnica. Qualquer instrução que o treinador queira passar para os jogadores deve ser comunicada para o capitão antes do treino. Outra alternativa que as equipes encontram para poder treinar é não colocar o time completo, jogar 4 contra 4, por exemplo, com a finalidade de praticar uma jogada. Depois do Midnight Madness, os times têm apenas três semanas para treinar com o elenco completo. Nesse período, os atletas treinam todos os dias, geralmente duas vezes. A parte física, feita com o acompanhamento de um preparador, é feita antes da aula, por volta das 6h30 às 8h30, e depois da aula acontece o treino principal, das 15h30 às 18h. Durante a pré-temporada, as equipes podem participar de dois jogos amistosos, para exibição.

Depois disso, a temporada se divide em duas fases: na primeira, entre o meio de novembro e o início de janeiro, as equipes jogam partidas “semi-amistosas” contra times de outras conferências e até de outras divisões. Os resultados desses jogos contabilizam pontos no ranking da NCAA. Na segunda fase da temporada, que acontece do início de janeiro ao fim de fevereiro, as equipes jogam dentro da própria conferência, no Conference Tournament. Os jogos são de ida e volta, o 1º colocado no ranking joga contra o último, o 2º com o penúltimo e assim por diante. O campeão de cada uma das 32 conferências vai para o campeonato nacional, o NCAA Tournament. Além dos vencedores das conferências, outras 32 equipes também vão para o nacional. Geralmente as principais conferências, como a ACC, da Costa do Atlântico, tem mais 2 vagas para os times que não foram campeões, mas ficaram bem colocadas no ranking da primeira fase. As conferências menos importantes só classificam para a fase nacional o seu time campeão.

No NCAA Tournament, as 64 equipes são divididas em quatro regiões, Meio-Oeste, Oeste, Leste e Sul, e também jogam no mata-mata. Na temporada que está começando, o campeonato nacional masculino começa no dia 16 de março, e o feminino no dia 20. Os campeões de cada região se classificam para as semi-finais, o Final Four. E então, os vencedores vão para a final, chamada de NCAA Championship. O Final Four masculino de 2009-10 irá acontecer em Indianápolis, entre os dias 3 e 5 de abril. O feminino será em San Antonio, do dia 4 ao dia 6. Além do NCAA Championship, há um outro torneio que dá um título nacional para a universidade campeã, durante a pós-temporada. O NIT, National Invitation Tournament, pode ser comparado com a Copa Sul-Americana do futebol, enquanto o Champioship seria a Taça Libertadores.

Ao final da temporada da NCAA, os melhores jogadores são recrutados pelos times da NBA através do draft. O player draft é um acontecimento obrigatório em todas as Major League Sports, como a NBA e as ligas profissionais de futebol americano, de hockey e de baseball. É no draft que os times profissionais escolhem os jogadores universitários que querem contratar. O pior time da temporada da NBA começa escolhendo um atleta, depois é a vez do segundo pior time, e assim acontece até chegar no campeão. Então começa o segundo round, em que todo o processo se repete. “Essa tentativa de manter o equilíbrio entre as equipes é pensado para manter disputas com alto nível de competitividade e para que os grandes jogadores sejam bem distribuídos nos times”, avalia Carlos Fabre, mestre em Educação Física. Para essa temporada, Eduardo Agra, comentarista da ESPN, acredita que Blake Griffin, do Los Angeles Clippers, Ty Lawson, do Denver Nuggets, De Juan Blair, do San Antonio Spurs e James Harden, do Oklahoma City Thunder, serão os destaques entre os novatos da NBA.

Contudo, nem tudo são flores nas universidades menores, principalmente para as da 3ª divisão. Muitas delas têm dificuldades para manter os programas esportivos. Não é raro uma modalidade mais popular, que atraia mais recursos, sustentar a estrutura de outros esportes. Mas, às vezes, a universidade se vê obrigada a fechar um determinado esporte por falta de condições. Isso porque, além do time, o programa esportivo engloba também a banda, as líderes de torcida e o mascote, que, muitas vezes, também recebem bolsas parciais. Além desse problema, há um outro aspecto que gera polêmica. Por serem considerados amadores, os atletas não podem receber nenhum dinheiro em função de sua prática esportiva. O grande dilema atual da NCAA são os jogos de videogame criados com base nos seus campeonatos. As empresas usam os nomes dos jogadores e seus personagens virtuais. As empresas faturam muito em cima disso, mas os alunos não podem ganhar nada. Devido a esse fato, alguns atletas entraram na justiça contra a NCAA pedindo que o direito de imagem seja cumprido.

Apesar disso, Carlos Thunm “não tem o que reclamar” do sistema esportivo universitário americano. “É muito organizado. Há todo um planejamento. Agora eles estão começando uma temporada, mas já têm uma ideia de contra quem eles vão jogar na temporada que vem”, conclui. Guilherme da Luz concorda com a opinião de Thunm: “O basquete universitário nos Estados Unidos é mais profissionalizado do que o basquete profissional no Brasil”.

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ORIENTE VERSUS OCIDENTE, 03/10/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Novembro 10, 2009

Os conflitos no Oriente Médio são tão antigos e tão complexos que hoje é muito difícil entende-los plenamente. Apesar de a maior parte das pessoas daquela região desejar a paz, os grupos radicais continuam aterrorizando o mundo todo. Adeptos do Islamismo Radical amarram bombas em seus corpos para morrer (e matar) pela jihad, a guerra santa em nome de Alá. Palestinos lutam com judeus desde a criação do Estado de Israel, em 1947, para construir um estado independente e libertarem-se da ocupação. Árabes demonizam o Ocidente e querem destruir tudo o que ele representa.

Os muçulmanos odeiam os Estados Unidos, pois acreditam que eles estão tentando “americanizar” o mundo. Contudo, isso não passa de uma hipocrisia. Afinal, o desejo do Islã Radical é “islamizar” o mundo, destruir todas as outras religiões com através da jihad e transformar o Islã na “lei da terra”. Claro, essa não é a única causa desse ódio imensurável dos muçulmanos pela América.

Os Estados Unidos só começaram a intervir nos conflitos do oriente quando foi de seu interesse. A invasão do Iraque pelos americanos em 2003, segundo a versão oficial da Casa Branca, tinha como objetivo desarmar os iraquianos, libertar o povo de Saddam Hussein e defender o mundo dos países do “eixo do mal”. Na verdade, Bush estava de olho nas reservas de petróleo iraquianas, incentivado pelo desejo de vingança pelos atentados no World Trade Center. Essa atitude americana causou ainda mais fúria nos povos islâmicos. Milhares de voluntários-mártires voltaram ao Iraque para se alistar na jihad contra os EUA.

A violência, a morte de inocentes, a pobreza, as doenças e a fome agravadas pelas guerras revoltam e frustram a juventude, que não vê outra saída a não ser lutar por vingança. Henrique Rattner, em seu livro Israel e a Paz no Oriente Médio: Uma luz no fim do túnel? escreve sabiamente que “a violência das armas pode resultar em ganhos transitórios, mas o ódio e o desejo de vingança pelos mortos e pelas destruições perduram por gerações.” Por isso, todas as nações do mundo devem se unir para tentar encontrar uma solução para esse problema, caso contrário, essa guerra nunca terá um fim.

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100% Astral Total (Os Paralamas do Sucesso, 10/10/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Outubro 21, 2009

Brasil Afora

Capa do disco "Brasil Afora"

Thedy Corrêa escreveu uma vez em seu blog que Brasil Afora, novo CD dos Paralamas do Sucesso, “é um disco imensamente FELIZ!” Essa afirmação vale também para o show de lançamento do álbum, que aconteceu dia 10 de outubro no Teatro do Bourbon Country. A apresentação dos cariocas reafirmou o que já se sabe desde o começo dos anos 80: os Paralamas são uma das maiores bandas do rock brasileiro.

Ao contrário do que se espera de uma turnê de lançamento, o show não focou muito as canções do novo CD. Das 26 músicas no set list, apenas 5 são de Brasil Afora. Mas todas as outras canções do repertório tinham o mesmo astral que paira no disco. Essa atmosfera contagiou a platéia e os músicos. Hebert Vianna, normalmente mais contido, interagiu bastante, convidou o público para cantar junto, pediu para que levantassem os braços e até improvisou algumas letras, como em Vital E Sua Moto, em que cantou “Os Paralamas do Sucesso iam tentar tocar na capital… do Rio Grande do Sul” e em Óculos, “Em cima dessas rodas também bate um coração”.

Praticamente todos os álbuns da banda foram visitados. Na metade do show, quatro canções foram apresentadas em formato acústico. Além das músicas próprias, eles tocaram O Vencedor, do Los Hermanos e, no bis, Sonífera Ilha, dos parceiros do Titãs. O público vibrava a cada acorde. Em Romance Ideal, olhei para o lado e vi uma menina emocionada. Tenho certeza que ela não foi a única. O trio sempre conseguiu tocar as pessoas de maneira especial.

Além de Hebert (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (vocais e bateria),  que dispensam comentários, vale mencionar os músicos de apoio, João Fera nos vocais e teclados, Eduardo Lyra na percussão, e a fantástica dupla dos sopros, Monteiro Júnior no sax, e Bidu Cordeiro no trombone. Os cinco trabalham juntos há vários anos, o que explica a sintonia no palco.  O que não estava muito em sintonia era o cenário, que seria mudado na parte acústica do show e se desprendeu antes do tempo, nem a bateria de João, que rasgou. Mas nada disso conseguiu estragar o espetáculo que conquistou o Prêmio VMB de melhor show do ano.  Show esse que pode voltar para cá antes do que esprávamos, pois o Barone anunciou que Porto Alegre é uma das cidades candidatas para a gravação do novo DVD do trio. Agora é esperar que os Paralamas voltem a tocar na capital…

Set list do show

Set list do show

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“Deu pra ti, baixo astral” (Kleiton & Kledir, 26/08/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Agosto 31, 2009

O CD e DVD "Autorretrato" tem produção de Paul Ralphes

O CD e DVD "Autorretrato" tem produção de Paul Ralphes

A “estreia mundial” de Autorretrato, novo álbum de Kleiton & Kledir, aconteceu dia 26 de agosto no Teatro do Bourbon Country. Depois de 12 anos sem lançar um disco de inéditas, os irmãos Ramil apresentaram canções inspiradas na amizade e na infância, como Autorretrato e Pelotas.

Eles começaram a carreira musical em 1975, nos Almondegas, banda que durou até 78 . Em 1980, lançaram o primeiro álbum como dupla. A sua contribuição para a cultura da Capital foi oficialmente reconhecida em 2007, quando Kleiton e Kledir foram agraciados com o título honorífico de Cidadãos de Porto Alegre.

O show teve algumas falhas típicas de início de turnê, como o desentrosamento dos músicos, mas nada que atrapalhasse o espetáculo. A dupla contornou os erros de maneira descontraída e fazendo brincadeiras. Um dos caras que não estava no palco, mas merece aplausos é o técnico de P.A., que incluiu efeitos muito interessantes nas músicas. Além das novas canções, os irmãos apresentaram alguns sucessos incluídos no álbum anterior, Kleiton e Kledir Ao Vivo.

Como de custume, eles contaram histórias do passado. Antes de Vento Negro, um dos maiores sucessos dos Almôndegas, brincaram: “Naquele tempo, a gente sonhava tanto, que sonhava até em ser prefeito de Porto Alegre”, fazendo referência ao prefeito José Fogaça, que compôs a letra da canção. Outro momento clássico do show de Kleiton e Kledir é o duelo de hinos da dupla grenal. Isso aconteceu depois que Kledir anunciou que foi convidado a ser cônsul do Inter.

A platéia, pôde-se perceber, não estava ali para ouvir as novas canções. O que as pessoas queriam mesmo eram os clássicos, como Paixão, Vira Virou, Fonte da Saudade e Maria Fumaça. E, principalmente, o que todos queriam fazer era cantar em alto e bom som “deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau”!

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NINGUÉM É PERFEITO (Chuck Berry, 20/08/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Agosto 21, 2009

“Ninguém é perfeito.” Essa foi a primeira frase que veio a minha cabeça quando terminou o show do Chuck Berry. A apresentação teria sido impecável se não fosse um pequeno “detalhe”: o músico entrou no palco do Teatro do Bourbon Country às 21h e saiu às 22h. Uma hora de show apenas. Sei que ele não tem mais o pique de antes, já está com 83 anos. Mas só uma horinha de show??? Ele nem parecia cansado. Pelo contrário. Até chegou a ensaiar umas coreografias e fez seu tradicional passinho com a guitarra.

Apesar de tudo, a noite foi maravilhosa. Só o fato de ver, ao vivo, um dos pais do rock já era de tirar o fôlego. Mas, além disso, o show foi fabuloso. Chuck parecia estar no ensaio, tão descontraído que estava. Ele imrpovisou bastante, cantou músicas que a plateia pediu, puxou uma canção em espanhol, com a dedicatória “essa é para vocês”. Se ele realmente achou que no Brasil se fala espanhol eu não sei, mas valeu o esforço. Ele até esqueceu da letra de uma canção e justificou o erro com humor: “Eu tenho mais de 200 músicas, não consigo lembrar de todas”. Quanto à guitarra, não é necessário nem comentar. Afinal, eu estou falando de Chuck Berry, não estou?

No final da apresentação, o músico chamou algumas gurias para subir ao palco. Elas ficaram ali, sem saber o que fazer, enquanto ele tocava. Ao sair do palco, deixou o público com um gostinho de quero mais. Tanto que a maioria das pessoas só arredou o pé do teatro quando os seguranças pediram pra elas saírem. Ninguém sabia o que estava acontecendo, pois ele terminou o show sem dizer nada, nem “bye”, nem “thank you”, nem nada.

Mas passada a decepção daqueles que esperavam assistir um bis, todos se deram conta de que haviam acabado de assistir o show de um dos maiores nomes do rock’n'roll. E uma hora só disso é bem melhor do que nada.

Foto: Rafaela Ely

Foto: Rafaela Ely

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“O importante é que emoções eu vivi” (Roberto Carlos, 18/08/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Agosto 20, 2009

Não sou grande fã do Roberto Carlos. Nunca fui. Mas respeito o Rei. 50 anos de carreira não é para qualquer um. Minha banda preferida tem metade disso e eu já acho o máximo. Tudo bem que faz alguns anos que Roberto não grava um disco de inéditas.  Mas também, o cara já lançou mais de 60 discos no Brasil e centenas no exterior. Tudo bem que ele usa um teleprompter para ler a letra das músicas. Mas ele já gravou mais de 500 canções. Tudo bem que show dele já virou sinônimo de TV sintonizada na Globo na noite de natal. Mas o cara tem 68 anos. Apenas um punhado de músicos continuam tocando nessa idade. E nesse ritmo. Foram 5 noites em Porto Alegre. Daqui ele seguiu pra São Paulo, onde vai fazer uma série de 10 shows. São 15 shows em 22 dias!!! Conto nos dedos quem aguenta uma agenda dessas.

Dia 18 de agosto foi a última das cinco apresentações que Roberto fez em Porto Alegre. O Gigantinho, apesar de não possuir qualidade de som, é sempre a casa do rei quando ele vem à Capital. No palco, foi acompanhado por uma banda comandada pelo maestro Eduardo Lages e por alguns músicos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre . Como todo bom gaúcho, o público enlouqueceu quando Roberto anunciou a OSPA no fim do show.

Um dos grandes méritos da apresentação foram as luzes. Totalmente sincronizadas com a música, elas criaram a atmosfera perfeita para o espetáculo. O operador deu um show a parte. Em determinados momentos, vibrava com o jogo de luz com a mesma intensidade que um guitarrista vibra durante um solo. Muito bonito mesmo.

A interpretação de Roberto não foi muito diferente daquelas que se vê na televisão. As mesmas músicas, as mesmas histórias e até as mesmas piadas. Mas ninguém ali estava se importando com isso. Afinal, Vossa Majestade estava presente. No violão, ele tocou Detalhes. E quando cantou as primeiras palavras de Emoções, a mulherada que estava sentada na pista correu para a frente do palco. Foi então que Roberto começou o tradicional ritual de entregar rosas à plateia. Mas foram flores demais. Ele ficou cerca de dez minutos distribuindo as 15 dúzias de rosas, enquanto a banda tocava ao fundo. Essa quantidade imensa tira o gostinho da exclusividade de receber uma rosa do Rei. E pra quem não está próximo ao palco, aquilo tudo fica monótono.

Mas, no fundo, no fundo, nada disso importa. Porque quem foi ao Gigantinho em qualquer uma das cinco apresentações pôde prestigiar o maior artista brasileiro de todos os tempos.

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“All you need is love” (Nenhum de Nós Toca Beatles, 27/07/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Agosto 11, 2009

A apresentação era esperada desde março pelos fãs e pelos músicos. O 4º Festival de Inverno de Porto Alegre foi a oportunidade perfeita para que ela acontecesse. Eu estava particularmente feliz. No dia 27 de julho, veria a banda do meu coração tocando as músicas da melhor banda do mundo. “Nenhum Toca Beatles” foi um show que nem nos meus melhores sonhos eu imaginei que aconteceria.

Com o Teatro do Bourbon Country lotado, os gaúchos do Nenhum de Nós mostraram que sabem mesmo o que fazem. O repertório, ensaiado exaustivamente, incluiu sucessos e canções nem tão conhecidas do grupo britânico. As luzes desenhadas por André Domingues e o cenário feito pela Casa Rima ajudaram a criar o clima ideal para o espetáculo. A banda até pensou em um figurino estilo beatle para a apresentação. Tudo estava maravilhoso. O nervosismo dos músicos só aumentou a sensação de que aquela seria uma noite especial. E foi. Não foi um show perfeito. Foi um show sincero. Uma homenagem verdadeira de verdadeiros fãs do quarteto de Liverpool.

A banda parecia apreciar cada momento em cima do palco. Contudo, a desconfiança era mútua. O público não fazia ideia do que a banda iria “aprontar” e a banda não sabia a reação do público. Acredito que ambos se surpreenderam. O começo animado com A Hard Day’s Night e Can’t By Me Love quebrou o gelo. No meio do show, em With A Little Help From My Friends, eles usaram um recurso que agradou a platéia na hora: a voz dos próprios Beatles inseridas no meio da interpretação do Nenhum. No bis, a maior surpresa da noite: Sady Homrich, o baterista, cantou Yellow Submarine.  Ele engrossou a voz e marcou o ritmo com o bumbo, lembrando a cena de um pirata com um barril de rum. Hilário!

Depois do espetáculo, o vocalista Thedy Corrêa admitiu que a emoção o impediu de alcançar algumas notas e de acertar a letra de algumas canções. Mas sua interpretação foi impecável. “Música com alma”, como ele costuma dizer. Além disso, assumiu o megafone em Lucy In The Sky With Diamonts e tocou viola caipira pela primeira vez em público. Veco Marques, guitarrista e fã confesso do Fab Four, encarnou George Harrison e tocou guitarra, violão, sitar e ukulele com maestria. O guitarrista Carlos Stein fez apenas um solo, o de While My Guitar Gently Weeps, originalmente gravado por Eric Clapton, mas esse único solo foi magnífico. Como em todos os shows do Nenhum, ele se deixou levar pela música, vibrava e cantava enquanto tocava guitarra, slide guitar ou violão. João Vicenti é um dos grandes responsáveis por deixar qualquer música com a cara do Nenhum de Nós. Com seu acordeom, teclado e meia-lua, o gaiteiro sempre deixa sua marca. Quando ele e Veco se juntam para tocar, então, a coisa fica séria. O duo “Doblevê” fez um pupurri instrumental de arrepiar. Definitivamente, um dos momentos mais emocionantes do show. O baixo e o violão de Estevão Camargo, músico convidado da banda, chamou a atenção de todos.

“Nenhum Toca Beatles” não deve ser um espetáculo de uma só noite. Eu realmente espero outras doses, para ver e ouvir as musicas da melhor banda do mundo interpretadas pela banda do meu coração. É pedir demais?

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Leia o relato de Thedy Corrêa sobre o show no blog Astro.Thedy e os comentários de Martha Medeiros no blog dela.

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“Sabés lo que me gusta” (No Te Va Gustar & Socio, 29/07/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Agosto 7, 2009

Uma das vantagens de morar no Rio Grande do Sul é o grande intercâmbio que acontece com os países da América Latina, especialmente no campo da música. No dia 29 de julho, Porto Alegre pôde prestigiar, dentro da programação do 4º Festival de Inverno, o show do No Te Va Gustar, uma das maiores bandas do rock uruguaio.

Também vindo do Uruguai, Frederico Lima, o Socio, foi convidado a abrir aquela noite no Bar Opinião. Apesar de não conhecer a maioria de suas canções, o público foi muito receptivo com o músico, que tocou pela terceira vez nos palcos gaúchos. Junto com ele, na banda de apoio, estavam Checo, no baixo, e Gonzalo Castex, na bateria. Sua obra é um hibrido de vários estilos e para auxiliá-lo nos efeitos das músicas, ele faz uso de um computador. No meio do show, uma surpresa: para dividir os vocais de El Capitán, ele chamou Thedy Corrêa, vocalista da banda Nenhum de Nós.

Apesar de não ser a atração principal daquela noite, Socio causou uma ótima impressão no público. Com certeza, essa não foi a última vez que Frederico Lima encantou os porto-alegrenses.

Empolgada pelo show que assistiu, a platéia recebeu o No Te Va Gustar com entusiasmo. Essa também foi a terceira vez que eles tocaram na Capital. Agora, a banda formada por Emiliano Brancciari, Gonzalo Castex, Martín Gil, Denis Ramos, Mauricio Ortiz, Marcel Curuchet, Guzmán Silveira e Diego Bartaburu veio divulgar o quinto disco de sua carreira, El Camino Más Largo. O único CD do grupo lançado no Brasil é um compilado de seus dois primeiros álbuns. Mesmo assim, o pessoal que assistia ao show cantou a maioria das músicas, que são uma mistura de rock, reggae e diversos outros estilos. Thedy Corrêa foi novamente convidado a subir no palco, dessa vez para cantar Clara.

A banda fez uma excelente apresentação e, assim, provou que o rock uruguaio (e, por extensão, o rock latino) vai muito bem, obrigado.

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“O mundo é bão” (Nando Reis e Os Infernais, 23/07/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Julho 24, 2009

Logo na chegada ao Teatro do Bourbon Country, uma detalhe chama a atenção: o cenário do palco, uma espécie de colcha de retalhos, é tão visceral quanto a arte (e toda a concepção) do CD. Nando Reis estava animado, muito animado. Durante as duas horas de show, ele passeou pelas várias fases de sua carreira. Do seu novo disco, Drês, ele apresentou músicas como Mosaico Abstrato e Hi, Dri. Da sua época de Titãs, tocou Os Cegos do Castelo e Marvin. Cantou também composições feitas em parceria, como Onde Você Mora, dele e de Marisa Monte, e outras clássicas de seu repertório, dentre elas All Star e Do Seu Lado.

No telão, os vídeos projetados conversavam diretamente com as músicas. No bloco de canções em homenagem aos filhos, desenhos infantis traduziam O Mundo é Bão, Sebastião, flores ilustravam Só pra So,  e imagens de árvores eram reproduzidas enquanto Nando cantava Espatódea, dedicada à filha Zoe, que estava nos bastidores. Ainda no “momento família”, fotografias de sua mãe eram exibidas durante a música Conta.  Além disso, cenários urbanos, elementos do encarte do CD e recortes de lista telefônica compunham os vídeos.

Junto com a banda Os Infernais, Nando veio dessa vez com o som mais pesado. Até as canções mais leves, como O Segundo Sol, ganharam reforço nas guitarras, baixo e bateria. Aliás, Carlos Pontual (guitarras), Alex Veley (teclados), Felipe Cambraia (contrabaixo), Diogo Gameiro (bateria) e Juju Gomes (backing vocals) foram peças importantíssimas do show que encantou o público porto-alegrense.

Drês, oitavo CD da carreira solo de Nando Reis

"Drês", oitavo CD da carreira solo de Nando Reis

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“Why don’t you stay just a little bit longer?” (Jorge Drexler,05/07/09)

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Julho 8, 2009

Quando criei esse blog, a ideia era postar apenas textos que fiz/faço/farei para a faculdade. Mas agora, depois do show fantástico do Jorge Drexler, mudei meus planos. A partir de hoje, vou tentar escrever sobre todos os shows que eu for. Ou sobre aqueles que valem a pena, pelo menos. Isso não é uma promessa, porque diciplina não é meu forte. Anyway, vale a tentativa…


O uruguaio entrou no palco do Teatro do Bourbon Country correndo, de terno e All-Star. E com um sorriso no rosto, sempre com um sorriso no rosto. O público, que lotou o Teatro do Bourbon Country, o recebeu com muito entusiasmo. Ao primeiro acorde de Jorge Drexler no violão, todos foram hipnotizados. A voz macia e o toque delicado no instrumento encantaram a platéia do início ao fim do espetáculo. Com seu bom-humor e simplicidade característicos, o músico agradeceu a presença de todos novamente em seu show. Salientou que não costuma tocar duas vezes em uma cidade durante a mesma turnê, e muito menos com dois shows de cada vez. Ano passado ele foi uma das atrações do Festival de Inverno, e a procura pelo show foi tão grande que a organização negociou uma sessão extra, assim como aconteceu dessa vez. Como o preço dos ingressos do ano passado era bem mais barato, ele brincou: “Obrigado também pelo sacrifício econômico em tempos tão difíceis.”

Sozinho no palco, acompanhado apenas de seu violão e sua guitarra, Drexler estava super descontraído, conversou muito e atendeu alguns pedidos do público. Um gesto de agradecimento, segundo ele.  Salvapantallas, escrita para seu irmão Daniel Drexler, foi uma das escolhidas. Depois, tocou um pedido dele mesmo, “O Astronauta Lírico”, do amigo Vitor Ramil, que estava na platéia. O público insistiu que o gaúcho subisse ao palco para cantar junto, mas Drexler, com seu jogo de cintura, disse que Vitor estava ali “como civil, descansando”.

Acompanham Drexler nessa turnê os engenheiros de som Carlos “Campi” Campón e Matías Cella. Além de subir no palco para tocar instrumentos, no mínimo, excêntricos, eles fazem um belíssimo trabalho de música eletrônica. Usam samplers de sons captados nos mais diversos lugares e os inserem nas músicas. Essa é uma das principais marcas do álbum Cara B.

Um dos grandes méritos de Drexler é a experimentação que ele faz ao vivo. Às vezes canta sem microfone, às vezes toca sentado no chão. Além de suas composições, também canta o italiano Luigi Tenco, o brasileiro Arnaldo Antunes, o canadense Leonard Cohen. Improviso é a palavra chave. No bis, por exemplo, tocou uma canção que compôs há três dias, no Rio de Janeiro, em homenagem ao amigo Paulinho Moska. Esse foi o último show da turnê “Cara B”, que durou dois anos. Ao final do show, ele cantou Stay, de Mauricie Williamns. O trecho “Why don’t you stay just a little bit longer?” parecia refletir o sentimento do público que assistiu por duas horas um dos maiores nomes da música latina atual.

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