While My Guitar Gently Weeps' Blog

Arquivo de Junho, 2009

VIOLÊNCIA URBANA, 24/06/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Junho 29, 2009

Grandes desastres, escândalos políticos e os gols da rodada são sempre as manchetes na mídia. Guerras que acontecem no outro lado do mundo, atentados terroristas em pontos turísticos e conflitos religiosos também têm seu espaço garantido nas capas dos jornais. Enquanto isso, as vítimas anônimas da violência urbana no Brasil só aparecem nas notas de pé de página.

A guerra das ruas brasileiras mata trinta em cada cem mil habitantes, segundo fontes do Serasa. Essa estatística se torna ainda mais assustadora quando comparada à média mundial, de cinco homicídios por cem mil pessoas. Somados os assassinatos cometidos no período de um ano, o número de mortes é semelhante ao de uma guerra civil. De acordo com um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, a despesa que toda essa atrocidade gera para o País atinge 10% do PIB, cerca de R$ 130 bilhões.

O pior da violência no Brasil é que ela não é gerada por divergências ideológicas ou religiosas, ela é fruto do crime organizado, que já se tornou um poder paralelo nas cidades brasileiras. Não existem mais horários e locais seguros, onde se pode caminhar com tranquilidade, sem medo da própria sombra. Além do mais, quem deveria proteger a população não o faz, permitindo o aparecimento de outro problema: a privatização da segurança.

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UMA HISTÓRIA REAL, 26/06/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Junho 26, 2009

Depois daquele dia, nunca mais fui a mesma. Era domingo, 5 de outubro de 2003, e eu estava com duas amigas. Saímos de casa cedo, Nenhuma de Nós queria se atrasar. Chegamos ao local dos shows com certa antecedência, havia poucas pessoas ali. Eram três bandas e fui especialmente para ver a última delas.

Minhas amigas, que, imagino, só foram porque o evento era gratuito, queriam ficar mais afastadas. Eu não. Queria chegar perto do palco, achar um bom lugar e esperar até o terceiro show. Foi o que fiz. Fui lá, na cara e na coragem, eu e meus 12 anos, no meio da multidão.

Eu não fazia ideia do que me esperava. No momento em que a primeira banda subiu no palco, minha vida virou de cabeça para baixo. Ou melhor: antes minha vida estava de cabeça para baixo e naquele dia se ajeitou. Todos os acordes, todas as palavras faziam sentido.

Quando aquele show terminou, eu estava em estado de choque. Não me importava mais a banda que tinha ido assistir. A partir daquele momento só queria saber daqueles cinco caras que me surpreenderam e me encantaram. Foi nesse dia que começou a nossa história “que continua até hoje e só parece melhorar”.

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A VIDA É FEITA DE ATOS, 2008/1

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Junho 17, 2009

A história do Teatro de Arena começou na primavera de 1966, quando Jairo de Andrade voltava de mais uma temporada frustrada do Grupo de Teatro Independente (GTI) no Theatro São Pedro. Ao passar pelo viaduto Otávio Rocha, na Avenida Borges de Medeiros, ele sentiu um forte cheiro de esgoto que vinha do porão de um prédio. Imediatamente, interessou-se pelo espaço, que poderia servir para os ensaios do GTI, criado em 1965 por Jairo e outros três estudantes do curso de Artes Dramáticas da UFRGS. O porão pertencia ao edifício de uma família, que emprestou o local até que o grupo pudesse pagá-lo. Como eles não tinham dinheiro e precisavam reformar a área, decidiram promover um curso de teatro, pago com trabalho. Os alunos, junto com o pessoal do GTI, cavaram, com as próprias mãos o lugar onde hoje se encontra o Teatro.

Finalmente, na noite chuvosa do dia 27 de outubro de 1967, o Teatro de Arena de Porto Alegre (TAPA) foi inaugurado com a peça O Santo Inquérito, de Dias Gomes. O texto foi escolhido justamente por tratar do tema da repressão, já que o Arena foi criado como um núcleo de resistência cultural no período da Ditadura Militar.

Ainda hoje o Teatro de Arena tem um papel fundamental para a cultura do Estado. Lá funcionam o Centro de Pesquisa e Documentação Sônia Duro e o Projeto Memória Viva. Para comemorar seu 40º aniversário, foi lançado o livro Teatro de Arena – Palco de Resistência, de Rafael Guimaraens. A obra, publicada pela editora Libretos, reúne depoimentos de pessoas que fizeram parte da história do teatro e é ilustrada com 140 fotos, algumas delas inéditas.

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ROCK’N'ROLL STARS, 19/05/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Junho 17, 2009

Escrever sobre shows muito esperados é sempre difícil, porque raramente se encontra palavras para descrever o sentimento de sonho realizado. Mas escrever sobre o show do Oasis em Porto Alegre é quase uma missão impossível. A língua portuguesa não é rica o suficiente (ou eu não a conheço tão bem) para conseguir expressar qualquer sensação a respeito da apresentação da banda de Manchester.

Demorei para acreditar que veria mesmo o Oasis ao vivo. Ainda na fila, com os portões fechados, pôde-se escutar a passagem de som da banda, a voz inconfundível dos irmãos Gallagher. Foi então que a ficha realmente caiu, e o coração disparou de verdade. Dentro de algumas horas eu veria e ouviria uma das melhores bandas de rock de todos os tempos.

A estrutura do palco era bem normal, sem mega-produções e grandes cenários como se vê por aí nesses shows internacionais. Óbvio que era uma mega-produção em termos de tecnologia de som e luz, mas nada havia de espetacular no palco. Ao final do show, descobri que isso tudo não era necessário. Eles eram o próprio espetáculo. Todas as atenções puderam se voltar para a performance da banda, sem a distração de efeitos multimídia e pirotecnias.

Ouvir Rock’n’Roll Star, The Masterplan, Live Forever, Little by Little e tantas outras, ao vivo, com Liam com as mãos no bolso do seu casacão e Noel tocando de cabeça baixa foi incrível. Ver, da arquibancada, o Gigantinho inteiro com os braços para cima e cantando em uníssono Wonderwall e Don’t Look Back in Anger foi de outro mundo. Concordo com Noel quando ele escreve em seu blog que os shows do Brasil vão ficar marcados na memória por um bom tempo. Algum dia, talvez, ele nem se lembre mais que tocou por aqui, mas quem foi ao show nunca vai esquecer da noite de 12 de maio de 2009.

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