Com 17 livros publicados, seis deles também lançados no exterior, Luiz Antonio de Assis Brasil é um dos mais importantes autores brasileiros. Nascido na capital gaúcha em 21 de junho de 1945, formou-se em Direito e possui título de Doutor em Letras. Em 1976, escreveu sua primeira obra, Um quarto de légua em quadro, que recebeu o Prêmio Ilha de Laytano. Além de romancista, também é professor na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). “O melhor momento da vida acadêmica é quando se está dando aula. Eu sinto que ali estou realizando uma coisa realmente útil. Mesmo se pudesse viver só de literatura, eu nunca deixaria de ensinar”, confessa ele.
Admite que sempre foi um bom aluno e que o interesse pelos livros começou desde muito pequeno: “fui mesmo um leitor precoce”. No Colégio Anchieta estudou latim, filosofia e os clássicos da literatura. “O que devo aos padres jesuítas é inestimável”. Suas influências estão, em sua maioria, situadas no realismo europeu, mas o principal responsável pela sua paixão pelo mundo literário foi Eça De Queiroz. Ao analisar os índices de leitura do Brasil, lamenta: “uma das grandes perdas que nós tivemos foi não darem literatura internacional no ensino médio”.
Passou a freqüentar aulas de violoncelo em 1962. Interessado, começou a pesquisar sobre a história da música e hoje possui um grande conhecimento sobre o assunto. Ele conta que sua participação na Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, entre 1975 e 1990, foi uma grande experiência. Lá conheceu “um dos ambientes mais neuróticos que existem”, pois os músicos concorrem entre si em busca de postos melhores. Dessa época saiu a inspiração de O homem amoroso, seu 6º romance. Além disso, a música dá sonoridade para suas frases e é tema de livros como O Concerto Campestre e Música Perdida.
Quando perguntado se seus romances podem ser considerados regionalistas, responde com humor: “Eu situo minhas histórias no Rio Grande do Sul porque não poderia situar no Piauí”. Ao contrário de escritores pessimistas, ele acredita que “o romance está cada vez mais vivo, mas está se transformando.” Segundo Assis Brasil, talvez a sua sobrevivência se deva justamente a essas adaptações.
Seu contato com novos autores é intenso devido à Oficina de Criação Literária que ministra na PUCRS desde 1985 para estudantes da pós-graduação. O professor afirma que o curso apenas abrevia algumas etapas e dá possibilidade de diálogo do autor com outras pessoas. “Para ser escritor, é preciso ter essa coisa inexplicável que se chama talento e muito conhecimento da tradição literária”. Ele não tem uma fórmula mágica da literatura, mas acredita que para escrever bem é preciso “achar a medida da história”.
Seu processo de criação é baseado no planejamento prévio da obra: “Não sei começar um livro sem saber como ele termina. O romance precisa ter uma relação de causa e efeito entre os episódios”. Para melhorar o resultado final, o gaúcho conta com a ajuda de Valesca de Assis, sua esposa há 40 anos, também escritora. “Confio muito no senso crítico que ela tem”. Por isso, Valesca é a primeira pessoa para quem entrega seus manuscritos. O contrário não acontece: “Eu não sei avaliar as obras dela. Quando ela escreve uma palavra, sei exatamente o conceito que tem sobre isso. Isso interfere na minha leitura”.
Atualmente, está fazendo a reunião dos textos escritos para o jornal Zero Hora, que farão parte do livro Palavras, ao mesmo tempo em que trabalha na história da PUCRS. Assis Brasil declara que agora está se colocando prazos. Ao final desse projeto, pretende retomar o romance que já tem cerca de 50 páginas e está previsto para 2010.
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