While My Guitar Gently Weeps' Blog

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ROCK’N'ROLL STARS, 19/05/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Junho 17, 2009

Escrever sobre shows muito esperados é sempre difícil, porque raramente se encontra palavras para descrever o sentimento de sonho realizado. Mas escrever sobre o show do Oasis em Porto Alegre é quase uma missão impossível. A língua portuguesa não é rica o suficiente (ou eu não a conheço tão bem) para conseguir expressar qualquer sensação a respeito da apresentação da banda de Manchester.

Demorei para acreditar que veria mesmo o Oasis ao vivo. Ainda na fila, com os portões fechados, pôde-se escutar a passagem de som da banda, a voz inconfundível dos irmãos Gallagher. Foi então que a ficha realmente caiu, e o coração disparou de verdade. Dentro de algumas horas eu veria e ouviria uma das melhores bandas de rock de todos os tempos.

A estrutura do palco era bem normal, sem mega-produções e grandes cenários como se vê por aí nesses shows internacionais. Óbvio que era uma mega-produção em termos de tecnologia de som e luz, mas nada havia de espetacular no palco. Ao final do show, descobri que isso tudo não era necessário. Eles eram o próprio espetáculo. Todas as atenções puderam se voltar para a performance da banda, sem a distração de efeitos multimídia e pirotecnias.

Ouvir Rock’n’Roll Star, The Masterplan, Live Forever, Little by Little e tantas outras, ao vivo, com Liam com as mãos no bolso do seu casacão e Noel tocando de cabeça baixa foi incrível. Ver, da arquibancada, o Gigantinho inteiro com os braços para cima e cantando em uníssono Wonderwall e Don’t Look Back in Anger foi de outro mundo. Concordo com Noel quando ele escreve em seu blog que os shows do Brasil vão ficar marcados na memória por um bom tempo. Algum dia, talvez, ele nem se lembre mais que tocou por aqui, mas quem foi ao show nunca vai esquecer da noite de 12 de maio de 2009.

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A MENOR BANDA DO ROCK GAUCHO, 21/04/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Maio 22, 2009

De um lado o colorado Duca Leindecker. Do outro o gremista Humberto Gessinger. Os músicos são só dois, mas os instrumentos são vários: Violão de aço, guitarra e guitarra semiacústica (que Leindecker toca com as mãos), bombo leguero e pandeiro (que toca com os pés), violões de aço e de nylon, viola caipira e piano (Gessinger, com as mãos), harmônica (Gessinger, com a boca) e baixo e cordas (Gessinger, com os pés). Esse é o Pouca Vogal, projeto dos líderes das bandas Cidadão Quem e Engenheiros do Hawaii. Em setembro de 2008, eles disponibilizaram no seu site (www.poucavogal.com.br) as oito músicas do duo para download gratuito. As canções foram todas gravadas no estúdio do Duca, o Submarino Amarelo. São quatro composições do Gessinger, uma do Leindecker e três feitas em parceria.

No palco, o que se vê é muita descontração. Duca e Humberto conversam bastante com o público, contam “causos” e piadas. Além das músicas do Pouca Vogal, eles também tocam algumas da CQ e dos EngHaw. Gessinger afirma, em entrevista ao site Artistas Gaúchos, que  “o centro do trabalho são as músicas novas. Por isso não buscamos o Lado B das bandas. PV é o lado B.” A primeira apresentação do projeto foi em outubro de 2008 e desde lá já passou por diversas cidades gaúchas e paranaenses. A dupla pretende tocar muito pelo Brasil e lançar mais músicas: “Acho que teremos uma estrada longa no tempo e no espaço. Eu pretendo mergulhar cada vez mais”, diz Humberto.

Nos dias 11, 12 e 13 de março aconteceu a gravação do CD e DVD da dupla no Teatro do CIEE, em Porto Alegre. A procura pelo espetáculo foi tanta que um show extra teve que ser marcado. As apresentações contaram com a participação da orquestra Poa Pops, sob a regência do maestro Cordella e de Luciano Leindecker, irmão do Duca e baixista da Cidadão Quem. Além do baixo acústico, Luciano tocou “quince”, um instrumento feito por ele mesmo, apenas com material reciclado. A previsão de lançamento desse material é para junho. “Está ficando muito melhor do que eu imaginava”, vibra Humberto. “Para os extras há várias idéias, mas ainda não definimos. Um quadro não é só luz, é luz e sombra. Menos pode ser mais.” Enquanto o CD e o DVD não chegam às lojas, no site do duo podem ser encontrados vídeos e fotos dos shows.

Gessinger e Leindecker têm uma longa história na música. Humberto começou a tocar com os Engenheiros em 1985, na faculdade de arquitetura. Desde lá, a banda trocou de integrantes algumas vezes (HG é o único músico que restou da formação original), lançou cinco DVDs e 18 discos. Os Engenheiros já tocaram em Moscou, Japão e Los Angeles e participaram dos festivais Rock in Rio II e Hollywood Rock (em que abriram o show do Nirvana). Em 2008, Humberto escreveu o livro “Meu Pequeno Gremista”, pela editora Belas Letras, com ilustrações de Fábio Nierow.

A Cidadão Quem de Duca fez seu primeiro show em 1990, lançou sete discos e um DVD. Depois da morte do baterista Cau Hafner em 2000, quem assumiu a bateria foi Paula Nozzari. Ela deixou a banda em 2004. Então Duca e Luciano convidaram Eduardo Bisogno, Cláudio Mattos e Fernando Petters para entrar na Cidadão. Eles participaram dos dois últimos CDs da banda. Duca Leindecker é multimídia. Além de ter gravado seu primeiro disco aos 18 anos, já lançou dois livros e agora começou a se envolver com o cinema. Sua estréia na direção foi o curta-metragem “Chá de Frutas Vermelhas”, transmitido pelo Curtas Gaúchos da RBS TV. Duca também fez um vídeo sobre a Cidadão que foi apresentado ao público no último show da banda em Porto Alegre, em 2008.

O primeiro encontro de Leindecker e Gessinger foi durante os anos 80. Humberto recém havia comprado uma guitarra Fender e Duca foi convidado a experimentá-la. Depois disso, eles só foram tocar juntos na gravação do CD e DVD “Cidadão Quem no Theatro São Pedro”, em que Humberto participou na música “Terra de Gigantes”. A única canção composta em parceria pelos dois antes do Pouca Vogal foi “A Força do Silêncio”, que entrou no último CD da Cidadão Quem, “7”. Mas a ideia da parceria, Humberto não tem certeza de quando começou: “Não sei dizer quando me veio pela primeira vez a ideia de um duo. Faz muito tempo, antes mesmo dos EngHaw. Um papo embrionário com o Duca rolou quando mixei a demo do CD Novos Horizontes no estúdio dele.”

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OVERDOSE FUTEBOLÍSTICA, 07/04/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Maio 22, 2009

Não agüento mais futebol! Em circunstâncias normais, já me irrito com a quantidade de tempo que as pessoas gastam para falar disso, mas essa semana foi demais.

Começou com o jogo do Brasil em Porto Alegre. A cidade inteira se mobilizou. A prefeitura gastou uma banana para pintar de verde e amarelo os meio-fios das principais ruas da capital. A mídia falou da partida ininterruptamente por dias. Outdoors foram espalhados em todos os cantos: “Estamos contigo, seleção” e outras fases do gênero. Jornais mudaram as corres da capa para os tons da bandeira. O assunto nunca se esgotava. “O Kaká vai jogar?” “Que horas o Ronaldinho voltou da festa?” “O figurino do Dunga melhorou?”. Ok. O Brasil ganhou, todos ficaram contentes. Deu tudo certo no Beira-Rio – bom sinal para quem quer ser sede da Copa -, comentários, entrevistas e parecia que tudo ia voltar ao normal. Mas não.

Veio o centenário do Inter. Um marco histórico! O mundo não seria o mesmo se o Colorado não fizesse 100 anos. No sábado, a data do aniversário, um dos principais jornais gaúchos tinha 31 páginas em sua edição. Treze foram dedicadas ao clube. Treze! Quase metade da publicação! Minha impressão era de que nada mais importante acontecera naquele dia. Nenhum anúncio anti-crise, nenhum pronunciamento do Obama, nenhuma notícia sobre a corrida eleitoral. Nada! O centenário do Inter é tão importante que deveria ser feriado mundial. Ok. Achei que a tortura fosse acabar no “Parabéns a você”. Mas não.

No dia seguinte teve grenal. “Será que o Grêmio vai se recuperar, depois de tantos jogos perdidos para o Inter?” “E o Colorado? Será que vai fechar com chave de ouro a comemoração do centenário?” “Caso o Grêmio ganhe, o Roth fica ou o Roth sai?” O Grêmio perdeu. O Roth saiu. O Grêmio está fora do Gauchão. Para quem Fábio Koff vai entregar a taça que leva seu nome?

Na segunda-feira, como era de se esperar, mais futebol. “Quem vai comandar o Tricolor agora? Geninho? Quem diabos é Geninho?” Tem gente que nem sabe se a culpa era do Roth. A única coisa que sei é que os colorados o adoravam.

A overdose futebolística ainda não acabou. Terça-feira tem Libertadores. Não importa o resultado, a quarta está reservada para os comentários do jogo.

Por favor! Chega! Me dêem um tempo! Eu adoro futebol, de verdade, mas esse falatório todo me cansa. Quem se importa se o ônibus do Inter não tem as poltronas 35 e 36?

Sabe qual a maior ironia de tudo isso? Aqui estou eu, perdendo meu tempo e o das pessoas que me lêem para falar de futebol.

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NBA x NBB, 14/04/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Abril 29, 2009

No país do futebol não há espaço para o basquete. No país do futebol americano há. E muito! Além de espaço, nos Estados Unidos há dinheiro e incentivo. Lá os campeonatos universitários têm quase tanta importância quanto os jogos profissionais. Aqui quase não existem campeonatos universitários. Aqui os clubes não se entendem com a Confederação, que não se entende com a Liga, que, em 2009, está tentando endireitar o esporte com o Novo Basquete Brasil (NBB), o “campeonato brasileiro” da bola laranja. Lá eles têm a NBA, que não requer muitas explicações. A National Basketball Association movimenta por ano cerca de US$ 2,1 bilhões só em merschandising. A NBB ainda está atrás de patrocinadores. Os jogos da NBA são transmitidos para mais de 100 países. Os jogos da NBB nem sempre passam nas TVs brasileiras.

O basquete não consegue crescer no Brasil por dois motivos: ele é soterrado pelo futebol e há amadorismo administrativo. Esses dois pontos estão relacionados. O público brasileiro pouco se interessa por esportes que não sejam futebol, futebol de areia, futsal, futebol de botão ou futebol no videogame. Todos na categoria masculina e profissional. Consequentemente, os patrocinadores não têm outra saída e anunciam em todas essas diversas modalidades. Como todas as atenções do empresariado se encontram nos esportes citados acima, quem fica a cargo das divisões de basquete dos clubes são ex-atletas, que muito têm de experiência dentro da quadra, mas pouca atrás de uma mesa de escritório.

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MARÇO DE 2009: A BEATLEMANIA AINDA VIVE, 29/03/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Abril 8, 2009

A noite de 28 de março de 2009 vai ficar marcada na memória de muitos porto-alegrenses. Essa foi a primeira vez que um ex-Beatle veio ao Rio Grande do Sul. Pete Best, o primeiro baterista dos Beatles, fez uma participação especial no show do grupo argentino The Beats, considerada a melhor banda Beatle do mundo. Ao subir ao palco, o público o aplaudiu de pé com entusiasmo. Muitos espectadores não contiveram a emoção ao ver um dos personagens da história da maior banda de todos os tempos. Ele brincou, contou histórias da época em que fazia música com Paul, John e George, e tocou um par de canções que havia gravado com os Beatles. Ao deixar o palco, foi, novamente, aplaudido em pé. O que se viu no Teatro do SESI foi uma verdadeira celebração à música.

O gosto pelos Beatles não é passado de geração em geração. Cada geração os descobre de novo por si própria e aí, então, pais e filhos compartilham a paixão pelo Fab Four. É impressionante o poder que aqueles quatro rapazes de Liverpool ainda exercem nos dias de hoje. Mais de três décadas depois da separação dos quatro cabeludos, eles ainda são a principal influência musical para muitas bandas. A Beatlemania ainda não acabou e nunca acabará. Paul McCartney hoje lota shows e esgota ingressos em 7 segundos não pelo o que ele foi, mas pelo o que ele ainda representa. Em 2003, fez uma apresentação na Rússia, que resultou no DVD Paul McCartney in Red Square. Nele, é destacada uma frase de Artemy Troitsky, escritor e sociólogo russo: “Os Beatles, Paul e John, George e Ringo, fizeram mais pela queda do comunismo do que qualquer outra instituição ocidental”. É verdade. Os Beatles não revolucionaram apenas a música, mas a política, a moda, o comportamento de uma geração inteira – e de todas que estão por vir.

Bebês, crianças, adolescentes, adultos, idosos, enfim, beatlemaníacos de todas as idades, preparem seus corações. Se a comoção foi assim tão grande com a presença de Pete Best, imagine se os boatos se confirmarem e Paul McCartney vier mesmo ao Brasil.

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CULTURA SEM ESTRATÉGIA, 23/03/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Abril 8, 2009

A capital dos gaúchos é conhecida em todo o Brasil por ser um dos grandes pólos culturais do país. Turnês internacionais passam por aqui, grupos de teatro preferem fazer suas estréias no Porto dos Casais, pois acreditam que público rio-grandense é o mais caloroso e receptivo de todos. Mas não são só os artistas de fora que são apreciados. Os locais também lotam teatros e auditórios de gente a fim de apreciar suas obras.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre realizou o projeto 24Horas de Cultura. O evento aconteceu nesse final de semana, dentro da programação da Semana de Porto Alegre, em comemoração 237 anos da cidade. Em 11 locais diferentes foram promovidos 42 shows gratuitos e vários outros espetáculos. Essa é uma iniciativa louvável que enriquece ainda mais o cenário cultural porto-alegrense.

O problema da edição de 2009 foi a divulgação precária do projeto. As apresentações de Vitor Ramil, Nelson Coelho de Castro e Mônica Tomasi, da Banda Municipal com Frank Solari e Plauto Cruz e muitos outros não tiveram destaque na mídia. Não adianta nada investir em uma ótima programação, se ninguém fica sabendo dela. O único show que teve uma boa publicidade foi o do Nando Reis, com participação especial de Ana Cañas e abertura da banda Tenente Cascavel. Esse espetáculo teve o patrocínio da Credicard, que encheu a cidade de cartazes e outdoors. Resultado: milhares de pessoas compareceram no Anfiteatro Pôr-do-Sol para conferir. No mesmo horário do Nando Reis, Nei Van Soria tocava na Redenção para um público de, no máximo, cem pessoas. Além de ter sido pouco anunciado, o público do Nei e da Tenente é o mesmo. Seus shows não poderiam ter acontecido no mesmo horário.

A proposta de democratizar a cultura oferecendo espetáculos gratuitos à população é muito interessante, mas os organizadores devem ter consciência de que quem busca desse tipo de informação é um público mais seleto. Por isso, a divulgação em jornais e rádios populares se faz necessária. Independentemente das falhas, o secretário de Cultura, Sergius Gonzaga e toda a sua equipe estão de parabéns pela iniciativa. É de se esperar que em 2010 o projeto venha com uma programação ainda melhor e com maior divulgação.

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PEDALADA PELADO, 16/03/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Abril 8, 2009

Aconteceu no último sábado, dia 14 de março, na cidade de São Paulo, a segunda edição do World Naked Bike Ride SP, um encontro de ciclistas que manifestaram contra o descaso do trânsito com quem opta pelo uso da bicicleta como meio de locomoção. A versão brasileira da reunião ganhou o apelido de “Pedalada Pelado”. A Polícia Militar estima que cerca de 150 pessoas participaram do evento, cuja proposta era desfilar seminu, para chamar a atenção da fragilidade dos ciclistas no trânsito.O grupo se encontrou por volta das 12h na Praça do Ciclista, no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua Consolação, e às 14h começou a “peladada” em direção ao Parque do Ibirapuera.

Atitudes como essa não são necessárias apenas em São Paulo, onde o caos do trânsito já virou rotina, mas em todas as cidades que não têm infra-estrutura suficiente para garantir a segurança dos ciclistas. Joinville, considerada a “cidade das bicicletas”, também passa por problemas. Em 2005, havia uma bicicleta para cada quatro habitantes, e 10% dos deslocamentos eram feitos pedalando. Contudo, nos últimos anos, o uso da bicicleta está diminuindo, devido ao aumento do fluxo de veículos automotores e do risco de atropelamentos. Motoristas de carros, ônibus e caminhões devem estar conscientes de que os ciclistas estão muito mais expostos ao perigo do que quem está protegido por uma armadura de metal. Mesmo assim, essas pessoas escolheram um meio de transporte alternativo, um gesto louvável que colabora muito para que o trânsito não seja ainda pior.

Além do respeito dos condutores de veículos, políticas públicas também devem ser implementadas para que os ciclistas tenham mais segurança. Em 2007, eram 2.517 quilômetros de ciclovias em 280 municípios brasileiros, para uma frota de mais de 50 milhões de bicicletas. A construção de ciclovias é de responsabilidade dos Estados e municípios, mas o governo federal possui o programa Bicicleta Brasil, que incentiva obras desse tipo. Apesar da quilometragem das ciclovias ter quadruplicado desde 2003, é preciso muito mais investimento nessas iniciativas. Governadores e prefeitos devem refletir sobre o custo-benefício desses empreendimentos. A construção de vias exclusivas para o uso de bicicletas deve ser muito mais barata do que a duplicação de ruas e avenidas, além de ser ecologicamente correto, de estimular a prática de exercício físico pelos cidadãos e poupar sua paciência nos cada vez maiores engarrafamentos diários que toda cidade grande enfrenta.

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AS PERDAS DA PIRATARIA, 04/03/09

Publicado por While My Guitar Gently Weeps em Abril 8, 2009

Pirataria é crime. Disso todo mundo sabe. Mas, mais do que isso, pirataria é um insulto. Nesse ponto, nem todos pensam. Quem compra um CD falsificado declara que a obra que o artista produz não tem valor. Esse pensamento não vale só para a pirataria de CDs, mas de DVDs musicais, filmes, softwares e até de roupas e calçados.

No filme Meu Tio Matou um Cara, de Jorge Furtado, uma menina pergunta ao seu amigo se, pelo mesmo valor, ele prefere comprar um CD original ou três CDs piratas. Essa cena mostra com clareza a concorrência desleal que a falsificação gera, devido à infração das leis do direito autoral, da propriedade intelectual e propriedade industrial.

Um argumento comum a favor da contrafação é o de que os vendedores de produtos piratas precisam ganhar dinheiro e o trabalho informal foi a única saída que encontraram. Isso não é justificativa, pois, assim, eles estão tirando o emprego de outras pessoas: o pessoal das gravadoras, das lojas de discos, das gráficas que imprimem os encartes, dos trabalhadores que prensam o CD e de muito mais gente. Fazendo os cálculos, a falsificação desemprega mais do que emprega. Segundo dados da Associação Anti-Pirataria Cinema e Música (APCM), 50% (80 mil) dos postos de trabalho direto do setor fonográfico foram perdidos entre 1997 e 2005, foram contratados 50% menos artistas no mesmo período e cerca R$ 500 milhões anuais foram perdidos em arrecadação de impostos.

O processo de gravação de um disco custa, no mínimo, 35 mil reais. Não é justo que o artista não receba nenhum retorno de seu investimento. Se ele quer distribuir suas músicas de graça, é sua opção e de ninguém mais. O artista não pode trabalhar de graça. Um médico é pago para atender, um advogado cobra para prestar qualquer serviço, por que o músico deveria fazer música de graça? Além disso, não são só as canções que importam, o projeto gráfico também é arte e faz parte da obra. Isso se perde com a pirataria.

O Brasil está apenas atrás da China em termos de pirataria de produtos fonográficos. Mesmo com todas as campanhas contra a falsificação, uma pesquisa da Fecomércio-RJ e da Ipsos Public Affairs em 2008, mostrou que a pirataria aumentou em 5% em relação ao ano anterior, o que significa um aumento de 8 milhões de compradores. O produto mais procurado, sem dúvida, ainda é o CD.

As pessoas precisam pensar antes de consumir esse tipo de produto, pois elas não estão comprando, estão roubando a obra de alguém.


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